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8/3/2010
Governo tenta amenizar a retaliação aos Estados Unidos
Começam a surgir propostas para evitar a retaliação do Brasil autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), por causa dos subsídios dados aos produtores norte-americanos de algodão. Há possibilidade, segundo especialistas, de formalizar um acordo para o desenvolvimento de pesquisas. Segundo eles, o objetivo é que os norte-americanos transfiram em recursos e tecnologias as pesquisas referentes ao setor algodoeiro.
Já o CEO da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico, aponta outra solução possível girando em torno de compensações dentro do país norte-americano, como incentivo a vendas de produtos do Brasil. Está prevista para hoje a divulgação da lista com produtos que podem ser retaliados pelo governo brasileiro.
De acordo com analistas brasileiros, um dos setores que pode ser afetado é o de medicamentos, pois a retaliação envolve a criação de barreiras temporárias às importações. A lista com a relação de produtos que poderão ser alvos da reação brasileira será divulgada na próxima segunda-feira pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). A retaliação envolve cerca de US$ 830 milhões.
Em evento de posse dos novos membros do conselho da Amcham, na última sexta-feira, questionado pelo DCI sobre possíveis resoluções para evitar uma retaliação, o CEO da Amcham deu como exemplo o acordo feito entre os Estados Unidos e a Comunidade Européia no setor de direitos autorais. Segundo ele, a OMC tinha o concedido o direito da UE de retaliar o país norte-americano alegando, que esse restringia a entrada de livros europeus.
"A solução encontrada foi dar um incentivo de vendas e divulgação aos livros europeus editados nos Estados Unidos. O resultado foi que os americanos acabaram conhecendo mais os autores europeus do que os do próprio país. Podemos buscar caminhos nesse campo", indicou.
"A lista de retaliação já está definida. Vamos adiar para a semana que vem. Isso foi para não causar nenhum constrangimento a secretária de Estado", afirmou o ministro do Mdic, Miguel Jorge, também na sexta-feira. "A negociação é sempre melhor. Somos pacientes. Depois da publicação da lista eles terão 30 dias, e aí sim, eles se manifestem", acrescentou.
Fonte: DCI
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